Portugal: o filho esbanjador e mimado da UE (2)
Finalmente, a conclusão a que queria chegar depois do sermão dos subsidios europeus (desculpem lá qualquer coisinha, tipo os rios de texto que tenho para aqui posto)
Voltando à primeira questão, o novo acordo e o orçamento fantástico de Portugal não traz tantas esperanças como poderia trazer.
Avistam-se mais projectos de "aproveitamento de fundos" em investimentos megalómanos rudemente justificados à opinião pública - Ota, TGV (e não foi mesmo este argumento de aproveitar fundos descaradamente utilizado para justificar este último?) - enquanto o interior do país, em claro défice de... tudo, continua apenas a ser alvo das magras reformas rurais, sem condições para atrair a indústria que, de resto, lá vai abandonando o litoral à sua sorte e deixando os serviços do terciário totalmente desapoiados - e depois admiram-se que os centros de emprego estejam cheios: para além da pressão dos ex-operários fabris que ficaram sem trabalho e muitas vezes sem indemnizações, há a falência e contenção de custos das empresas que lhes prestam serviços, etc, etc.
Quanto à "parcela não quantificada" de fundos para a investigação cientifica, cultura, etc, o burocratizado acesso mediado pelas sempre mesmíssimas instituições levará apenas a que os subsídios e apoios sejam dados aos mesmos tubarões das elites sociais, os mesmos que receberam os apoios até agora e que no entanto falharam em desenvolver seja lá o que for a que se propuseram. Os balúrdios gastos em cinema, foi o que se viu. Actividades culturais, teatro? os subsídios estiveram suspensos no Norte mesmo para os tubarões, quanto mais pensar em apoiar gente nova, jovem e com ideias. Depois, os "promotores culturais" da nação - e ressalve-se bem as aspas - masturbam os seus egos com produções absurdas e justificam a sua mediocridade com o atraso cultural do país.
A investigação cientifica, essa, a boa é feita no estrangeiro e por lá fica ou então é feita de forma medíocre e por cá fica, porque aqui não há gente com ideias, e mesmo que haja não há dinheiro para financiar novas ideias: não convém aos interesses dos catedráticos nacionais incentivar aqueles que têm capacidade de destruir tudo o que têm feito até agora, e leia-se, incompetência anti-académica nivelada por baixo, muito embora recitem de cor Derrida e seja quem for (quando o fazem, quando o fazem).
E a Europa, como uma mãe que mima o filho, não se isenta de culpas: tudo isto passa incólume por quem passa os cheques, a ingerência mediocre é aplaudida e o orçamento é o que está à vista. E Portugal continua debaixo das saias da mamã aos 30 anos, feliz com a sua eterna dependência. Não se fala, nunca, de orgulho nacional e orgulho europeu. Falar disso seria contribuir para o orçamento europeu com mais do que os dividendos que tira, como a Alemanha. É criar uns espectaculares 170.000 empregos por dia comparados aos cerca de 230 criados por Portugal; falar de orgulho europeu e nacional seria não aceitar este cheque, por vergonha. Eu tenho.
PS - do investimento na ruralidade - 3170 milhões - uma nota, apenas; no total dos últimos 7 anos, alguém arrisca um número para quanto se gastou no combate e prevenção de incêndios florestais, e respectiva reflorestação?
E, daqui, conclua-se o que se quiser.
Voltando à primeira questão, o novo acordo e o orçamento fantástico de Portugal não traz tantas esperanças como poderia trazer.
Avistam-se mais projectos de "aproveitamento de fundos" em investimentos megalómanos rudemente justificados à opinião pública - Ota, TGV (e não foi mesmo este argumento de aproveitar fundos descaradamente utilizado para justificar este último?) - enquanto o interior do país, em claro défice de... tudo, continua apenas a ser alvo das magras reformas rurais, sem condições para atrair a indústria que, de resto, lá vai abandonando o litoral à sua sorte e deixando os serviços do terciário totalmente desapoiados - e depois admiram-se que os centros de emprego estejam cheios: para além da pressão dos ex-operários fabris que ficaram sem trabalho e muitas vezes sem indemnizações, há a falência e contenção de custos das empresas que lhes prestam serviços, etc, etc.
Quanto à "parcela não quantificada" de fundos para a investigação cientifica, cultura, etc, o burocratizado acesso mediado pelas sempre mesmíssimas instituições levará apenas a que os subsídios e apoios sejam dados aos mesmos tubarões das elites sociais, os mesmos que receberam os apoios até agora e que no entanto falharam em desenvolver seja lá o que for a que se propuseram. Os balúrdios gastos em cinema, foi o que se viu. Actividades culturais, teatro? os subsídios estiveram suspensos no Norte mesmo para os tubarões, quanto mais pensar em apoiar gente nova, jovem e com ideias. Depois, os "promotores culturais" da nação - e ressalve-se bem as aspas - masturbam os seus egos com produções absurdas e justificam a sua mediocridade com o atraso cultural do país.
A investigação cientifica, essa, a boa é feita no estrangeiro e por lá fica ou então é feita de forma medíocre e por cá fica, porque aqui não há gente com ideias, e mesmo que haja não há dinheiro para financiar novas ideias: não convém aos interesses dos catedráticos nacionais incentivar aqueles que têm capacidade de destruir tudo o que têm feito até agora, e leia-se, incompetência anti-académica nivelada por baixo, muito embora recitem de cor Derrida e seja quem for (quando o fazem, quando o fazem).
E a Europa, como uma mãe que mima o filho, não se isenta de culpas: tudo isto passa incólume por quem passa os cheques, a ingerência mediocre é aplaudida e o orçamento é o que está à vista. E Portugal continua debaixo das saias da mamã aos 30 anos, feliz com a sua eterna dependência. Não se fala, nunca, de orgulho nacional e orgulho europeu. Falar disso seria contribuir para o orçamento europeu com mais do que os dividendos que tira, como a Alemanha. É criar uns espectaculares 170.000 empregos por dia comparados aos cerca de 230 criados por Portugal; falar de orgulho europeu e nacional seria não aceitar este cheque, por vergonha. Eu tenho.
PS - do investimento na ruralidade - 3170 milhões - uma nota, apenas; no total dos últimos 7 anos, alguém arrisca um número para quanto se gastou no combate e prevenção de incêndios florestais, e respectiva reflorestação?
E, daqui, conclua-se o que se quiser.

2 Comments:
Xiii tás lançado no ataque! Eu estou a pensar seriamente fundar um novo partido. Estás na minha lista para fazer parte da minha comissão política.
:)
tou nessa. dá para pegar fogo a coisas? posso ser o "pegador oficial de fogo a coisas", ou seja, mandatário do movimento mp-fire?
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